INHOTIM
Uma das boas coisas das Minas Gerais é a transformação da linguagem, da fala das pessoas. Do chegar perto pela palavra. Para uma mineira que mora longe de casa, é bom retornar às Minas. E redescobrir as falas, os sotaques, as palavras cortadinhas, os cantos da língua, os diminutivos, as abreviações, as reduções dos nomes. Vó Nhá, Candin, Sô, Toin, Sãozinha, Sá... A intimidade se revela numa palavra pronunciada. O sentimento chega pelo que foi dito. Sagrada é a palavra! O que foi pronunciado mostra quem é você. Quem é o outro. Qual a relação há entre os dois.
Inhotim é um nome de gente. De um senhor? Um parque natural de arte contemporânea. De visita obrigatória. Bem perto da capital, no município de Brumandinho, rodeado de serras gerais. Lagos, instalações de arte, bosques, jardins, trilhas... Árvores centenárias, arbustos, rastejantes, muitas aves e esculturas te surpreendem pelo passeio. Rodeado de montanhas de mata de cerrado, o parque te leva a lugares para sentir cheiros, tocar texturas, ouvir rangidos. Uma diversão ir com crianças! Olhar, escutar, sentir, imaginar, pisar, sonhar, descortinar tantas janelas!
Gentes minerais, esculturas líquidas, cadeiras vegetais... Uma comunhão de gestos, de vestes, de coreografias. Faz bem aos olhos, aos ouvidos, ao coração. Inhotim é bom demais!
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Ninfa Parreiras
(foto: arquivo pessoal, gente de Brumadinho, julho 2009, Inhotim)