Querida
Lygia Bojunga
Rio de Janeiro: Editora Casa Lygia Bojunga, 2008

Este é o exemplar 1.502 de Querida, adquirido pela Biblioteca Anísio Teixeira -CEAT. Cada exemplar das obras publicadas pela Casa Lygia Bojunga é numerado um a um. Revela um cuidado com o livro, com o leitor; mostra a identidade de cada exemplar: único, singular, que carrega também a experiência do seu leitor. Isso começou com a obra Feito à mão, publicada inicialmente em poucos exemplares, feitos artesanalmente pela autora, em 1996. Iniciativa que ficou como uma marca da autora/da editora.
Querida é um romance que traz o ciúme como uma personagem; a infância e a velhice são os vértices da existência humana atravessados pelas diferentes personagens e pelo olhar do leitor. A cidade grande, a serra fluminense, o nordeste brasileiro, lá fora do país... São espaços de encontros e de desencontros. De saudades, de raiva. Alguns distantes, outros próximos de quem lê. As profissões de escritor, de atriz, de chefe de cozinha são mostradas na sua paixão, nas suas frustrações e no confronto com a vida.
Na mais recente obra da autora premiada nacional e internacionalmente, reparamos aspectos que já estiveram presentes em livros anteriores, como o contraste social brasileiro; o ciúme como valor universal; a arte do teatro; a arte de escrever... Lygia revisita esses elementos: os amplia, os dá nova forma e plasticidade, aqui, numa tecitura para leitores de fôlego, sejam os adolescentes, sejam os adultos.
Entre ser leitor, ser espectador, ser sujeito, a leitura nos convoca como partícipes de uma experiência subjetiva. A de fazermos a história nossa com Querida, passo a passo na prosa caracterizada com metalinguagens, como a da própria literatura: e o que é a literatura? Seria o mergulho profundo na história de um outro que nos revela? Seria o acreditar nas palavras de quem escreve como se tudo aquilo fosse a nossa verdade interna? Assim é a literatura de Lygia Bojunga!
Memórias inventadas para crianças
Manoel de Barros
Iluminuras Martha Barros
São Paulo: Planeta Jovem, 2006

As memórias seriam uma invenção? Ou a memória é o que impede a fantasia de fluir? Do que tratam as memórias inventadas do escritor Manoel de Barros, homenageado na FLIST de 2010? As vivências que chegam com as memórias trazem um universo mágico do que foi (: o vivido) e do que pode ser (: a ficção).
Em prosa, narrativas brevíssimas, o poeta de Mato Grosso revive instantes que passaram em sua infância. Pode ser até na infância interna, a das imaginações. Em um tempo, em que os brinquedos eram inventados e feitos pelas crianças: boizinhos de ossos, bolas de meias, automóveis de lata... Nas descobertas dos heróis e das estátuas das cidades grandes...
Em cada narrativa, uma palavra criada, um sentimento descoberto. São seis contos que nos deixam com gosto de querer ler mais: “Escova”; “O lavador de pedra”; “Fraseador”; “O apanhador de desperdícios”; “Brincadeiras” e “Sobre sucatas”. Ler como criança, ler para e ler com as crianças.
São prosas quase poemas, em linguagem condensada, poucas palavras, metáforas, jogos de sentidos e de palavras. Instantes de vida. Sopros de lembranças.
As iluminuras da artista Martha Barros, filha do autor, acompanham os relatos, ampliam as ideias do texto, para o território do sonho. Imprimem bichos, flores, figuras minúsculas pintadas sobre tecidos de texturas diferentes. Trazem rodopios, nascimentos, encontros... Deixam o leitor voar com os passarinhos, com as reminiscências de um tempo que se foi mas continua vivo dentro de cada adulto. E deixam cada leitor pasmo a descobrir uma infância outra, de outrem, que existe na literatura mas também na história dos adultos, dos nossos antepassados. As memórias inventadas inventam um tempo do antes, para todos nós.
Santiago
Federico García Lorca
Tradução William Agel de Mello
Ilustrações Javier Zabala
São Paulo: Martins Fontes, 2009


Federico García Lorca (1898-1936), poeta andaluz, viveu pouco tempo e nos deixou uma poesia memorável, repleta de sonhos, de descobertas. Foi um combatente das palavras na Guerra Civil Espanhola.
Santiago é uma balada que faz parte de Livro de poemas, sua primeira obra de poesia. É a lenda fascinante da visita do Apóstolo Tiago a uma pobre camponesa num arraial perdido entre montanhas. Os versos nos provocam indagações, buscas, a dúvida da nossa existência: para onde foi Santiago? E para onde vamos? Aquilo foi uma visão? Um encantamento? Que experiência é esta?
Passeamos por diferentes lugares espaciais, caminhamos juntamente com crianças, adultos, cavaleiros, a velha, em prados, em colinas... “Aonde vai o peregrino celeste/ pela clara infinita vereda?” Crença, paixão e imaginação dão se as mãos e povoam o imaginário de cada personagem, de cada leitor. Realidade versus ficção, vida versus morte, infância versus velhice... Nascimento e descobertas juntas em versos melodiosos e ricos de imagens.
As ilustrações, em técnica mista, revelam belíssimas pinturas que sugerem, anunciam, dão forma à imaginação. Colocam em contraste a existência humana e a imensidão do universo. O dia-a-dia rotineiro em contraste com o que é inexplicável. A natureza (plantas, animais, ser humano) e as construções e edificações (casas, batalhas). A velha surge como depositária de sonhos e de ilusões, de desejos perdidos e inalcançáveis. A velha representa o tempo: do que passa, do que virá... Cada página, uma revelação.
Obax
Texto e ilustrações André Neves
São Paulo: Brinque-Book, 2010

Obax, como o próprio autor esclarece, é uma história inventada e ambientada na África. Não é um reconto de um relato africano. Pura invenção em palavras, em nomes buscados na cultura africana (Obax, a menina e Nafisa, o elefante), em imagens. Talvez seja este um dos grandes desafios da literatura: fazer o leitor acreditar que a história existe ou existiu: a verossimilhança. Não só acreditamos na história de André Neves, como mergulhamos fundo no mundo de imagens e de palavras de Obax.
Narrativa leve e breve, marcada pela fantasia, pela ludicidade, elementos tão caros à infância. Traz, principalmente, o confronto entre o mundo adulto e o da criança, entre a realidade e a fantasia. Entre o mundo de cá do oceano (o leitor) e o mundo de lá: a África, com algumas de suas cores e sabores.
As ilustrações revelam uma pesquisa minuciosa, com contrastes de cores, de formas, de sons, de texturas. Trazem regiões tão diversas que caracterizam a África (a savana, o deserto, o litoral, aldeias e cidades...). Levam o leitor a passear com a menina e o elefante por diferentes ângulos de paisagens variadas.
Há a possibilidade de passeios conduzidos por um elefante e por uma menina: trajetos vistos de cima, de lado, de longe, de perto. Um animal tão lendário quanto o elefante nos abre trilhas para imaginar e romper barreiras de tamanho, de espaço, tempo. Coisa que a literatura nos permite!
O projeto gráfico alterna páginas ora com ilustrações pequenas sobre fundo branco ora com desenhos grandes sobre fundo colorido; faz também o jogo de tamanho, uma brincadeira de esconde-esconde, entre leitor e obra. Convida a passar as páginas e passear por uma África sonhada, de diversidades e contrastes.
Lygia Bojunga
Rio de Janeiro: Editora Casa Lygia Bojunga, 2008

Este é o exemplar 1.502 de Querida, adquirido pela Biblioteca Anísio Teixeira -CEAT. Cada exemplar das obras publicadas pela Casa Lygia Bojunga é numerado um a um. Revela um cuidado com o livro, com o leitor; mostra a identidade de cada exemplar: único, singular, que carrega também a experiência do seu leitor. Isso começou com a obra Feito à mão, publicada inicialmente em poucos exemplares, feitos artesanalmente pela autora, em 1996. Iniciativa que ficou como uma marca da autora/da editora.
Querida é um romance que traz o ciúme como uma personagem; a infância e a velhice são os vértices da existência humana atravessados pelas diferentes personagens e pelo olhar do leitor. A cidade grande, a serra fluminense, o nordeste brasileiro, lá fora do país... São espaços de encontros e de desencontros. De saudades, de raiva. Alguns distantes, outros próximos de quem lê. As profissões de escritor, de atriz, de chefe de cozinha são mostradas na sua paixão, nas suas frustrações e no confronto com a vida.
Na mais recente obra da autora premiada nacional e internacionalmente, reparamos aspectos que já estiveram presentes em livros anteriores, como o contraste social brasileiro; o ciúme como valor universal; a arte do teatro; a arte de escrever... Lygia revisita esses elementos: os amplia, os dá nova forma e plasticidade, aqui, numa tecitura para leitores de fôlego, sejam os adolescentes, sejam os adultos.
Entre ser leitor, ser espectador, ser sujeito, a leitura nos convoca como partícipes de uma experiência subjetiva. A de fazermos a história nossa com Querida, passo a passo na prosa caracterizada com metalinguagens, como a da própria literatura: e o que é a literatura? Seria o mergulho profundo na história de um outro que nos revela? Seria o acreditar nas palavras de quem escreve como se tudo aquilo fosse a nossa verdade interna? Assim é a literatura de Lygia Bojunga!
Ninfa Parreiras
Memórias inventadas para crianças
Manoel de Barros
Iluminuras Martha Barros
São Paulo: Planeta Jovem, 2006

As memórias seriam uma invenção? Ou a memória é o que impede a fantasia de fluir? Do que tratam as memórias inventadas do escritor Manoel de Barros, homenageado na FLIST de 2010? As vivências que chegam com as memórias trazem um universo mágico do que foi (: o vivido) e do que pode ser (: a ficção).
Em prosa, narrativas brevíssimas, o poeta de Mato Grosso revive instantes que passaram em sua infância. Pode ser até na infância interna, a das imaginações. Em um tempo, em que os brinquedos eram inventados e feitos pelas crianças: boizinhos de ossos, bolas de meias, automóveis de lata... Nas descobertas dos heróis e das estátuas das cidades grandes...
Em cada narrativa, uma palavra criada, um sentimento descoberto. São seis contos que nos deixam com gosto de querer ler mais: “Escova”; “O lavador de pedra”; “Fraseador”; “O apanhador de desperdícios”; “Brincadeiras” e “Sobre sucatas”. Ler como criança, ler para e ler com as crianças.
São prosas quase poemas, em linguagem condensada, poucas palavras, metáforas, jogos de sentidos e de palavras. Instantes de vida. Sopros de lembranças.
As iluminuras da artista Martha Barros, filha do autor, acompanham os relatos, ampliam as ideias do texto, para o território do sonho. Imprimem bichos, flores, figuras minúsculas pintadas sobre tecidos de texturas diferentes. Trazem rodopios, nascimentos, encontros... Deixam o leitor voar com os passarinhos, com as reminiscências de um tempo que se foi mas continua vivo dentro de cada adulto. E deixam cada leitor pasmo a descobrir uma infância outra, de outrem, que existe na literatura mas também na história dos adultos, dos nossos antepassados. As memórias inventadas inventam um tempo do antes, para todos nós.
Ninfa Parreiras
Santiago
Federico García Lorca
Tradução William Agel de Mello
Ilustrações Javier Zabala
São Paulo: Martins Fontes, 2009


Federico García Lorca (1898-1936), poeta andaluz, viveu pouco tempo e nos deixou uma poesia memorável, repleta de sonhos, de descobertas. Foi um combatente das palavras na Guerra Civil Espanhola.
Santiago é uma balada que faz parte de Livro de poemas, sua primeira obra de poesia. É a lenda fascinante da visita do Apóstolo Tiago a uma pobre camponesa num arraial perdido entre montanhas. Os versos nos provocam indagações, buscas, a dúvida da nossa existência: para onde foi Santiago? E para onde vamos? Aquilo foi uma visão? Um encantamento? Que experiência é esta?
Passeamos por diferentes lugares espaciais, caminhamos juntamente com crianças, adultos, cavaleiros, a velha, em prados, em colinas... “Aonde vai o peregrino celeste/ pela clara infinita vereda?” Crença, paixão e imaginação dão se as mãos e povoam o imaginário de cada personagem, de cada leitor. Realidade versus ficção, vida versus morte, infância versus velhice... Nascimento e descobertas juntas em versos melodiosos e ricos de imagens.
As ilustrações, em técnica mista, revelam belíssimas pinturas que sugerem, anunciam, dão forma à imaginação. Colocam em contraste a existência humana e a imensidão do universo. O dia-a-dia rotineiro em contraste com o que é inexplicável. A natureza (plantas, animais, ser humano) e as construções e edificações (casas, batalhas). A velha surge como depositária de sonhos e de ilusões, de desejos perdidos e inalcançáveis. A velha representa o tempo: do que passa, do que virá... Cada página, uma revelação.
Ninfa Parreiras
Obax
Texto e ilustrações André Neves
São Paulo: Brinque-Book, 2010

Obax, como o próprio autor esclarece, é uma história inventada e ambientada na África. Não é um reconto de um relato africano. Pura invenção em palavras, em nomes buscados na cultura africana (Obax, a menina e Nafisa, o elefante), em imagens. Talvez seja este um dos grandes desafios da literatura: fazer o leitor acreditar que a história existe ou existiu: a verossimilhança. Não só acreditamos na história de André Neves, como mergulhamos fundo no mundo de imagens e de palavras de Obax.
Narrativa leve e breve, marcada pela fantasia, pela ludicidade, elementos tão caros à infância. Traz, principalmente, o confronto entre o mundo adulto e o da criança, entre a realidade e a fantasia. Entre o mundo de cá do oceano (o leitor) e o mundo de lá: a África, com algumas de suas cores e sabores.
As ilustrações revelam uma pesquisa minuciosa, com contrastes de cores, de formas, de sons, de texturas. Trazem regiões tão diversas que caracterizam a África (a savana, o deserto, o litoral, aldeias e cidades...). Levam o leitor a passear com a menina e o elefante por diferentes ângulos de paisagens variadas.
Há a possibilidade de passeios conduzidos por um elefante e por uma menina: trajetos vistos de cima, de lado, de longe, de perto. Um animal tão lendário quanto o elefante nos abre trilhas para imaginar e romper barreiras de tamanho, de espaço, tempo. Coisa que a literatura nos permite!
O projeto gráfico alterna páginas ora com ilustrações pequenas sobre fundo branco ora com desenhos grandes sobre fundo colorido; faz também o jogo de tamanho, uma brincadeira de esconde-esconde, entre leitor e obra. Convida a passar as páginas e passear por uma África sonhada, de diversidades e contrastes.
Ninfa Parreiras
(Resenhas também disponíveis no site do Centro Educacional Anísio Teixeira - CEAT: http://www.ceat.org.br/ em Aquisições da Biblioteca: http://www.ceat.org.br/janelas_index/aquisbibli2010.htm )
(Resenhas também disponíveis no site do Centro Educacional Anísio Teixeira - CEAT: http://www.ceat.org.br/ em Aquisições da Biblioteca: http://www.ceat.org.br/janelas_index/aquisbibli2010.htm )