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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Blue Jasmine

 Blue Jasmine


                           Ninfa Parreiras

Em Blue Jasmine, passeamos por cidades charmosas da América do Norte, Nova York e São Francisco, de duas costas diferentes: a leste e a oeste. Não é exatamente um roteiro para turistas. O que o filme do roteirista e diretor Woody Allen nos faz pensar com esse deslocamento do olhar e da cena? Um mundo em ruínas, em que o luxo vivido antes em Nova York agora é levado ao pânico e à angústia em São Francisco, habitada por uma personagem falida e sem muitas opções de vida.
Visitamos com a protagonista Jasmine (ou Jeanette?), interpretada belamente por Cate Blanchett, outras cidades de charme europeu, como Paris e Viena. Observamos a fama com certo distanciamento humorado e crítico. Grifes como Ralph Lauren, Fendi, Hèrmes e Chanel desfilam pela vida de Jasmine, que, apesar de falida, vive internamente seus momentos de glória e glamour e os partilha com o expectador. Crítica ao capitalismo selvagem? Ou à falta de oxigenação das grandes cidades? Jasmine estaria elaborando as tantas perdas que sofreu? 
Interessante como as janelas retratadas no filme nos levam a pensar não somente na beleza fotográfica das cenas como também nas saídas para as cidades, além do que há de claustrofóbico nelas: o mar, a natureza, o céu.   
Há dualidades no filme que merecem nossa atenção, além das duas cidades, da riqueza e da pobreza: Jasmine e Ginger (a proletária, interpretada por Sally Hawkings) são irmãs e não irmãs. Isso é trabalhado por Allen, num jogo de semelhança e oposição. O filme traça ainda uma cartografia da fraude e da falência. Como as pessoas precisam ser enganadas e outras gostam de enganar! 
Por falar em semelhança, Blue Jasmine se parece com o clássico O bonde chamado desejo, de Tennessee Williams, que foi para as telas assinado por Elia Kazan.
Ao final, surpresos, nos levantamos da poltrona com uma lentidão necessária: sem risos, nem choros. Minha filha menor, ainda uma criança, não poupa o comentário: 
"Não entendi nada. Achei que a vida delas fosse melhorar."
Que dizer de um comentário que aposta num sonho de mudança? Ou numa fantasia de futuro? Num mundo que brote das ruínas e nos traga caminhos mais afetivos... É, as crianças esperam as metamorfoses, a lapidação da alma humana.

fotos: https://www.google.com.br/search?q=blue+jasmine&espv=210&es_sm=93&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ei=aWyXUr_ELu-1sATZr4GgBg&sqi=2&ved=0CAkQ_AUoAQ&biw=1024&
acesso em 28/11/2013