Que sentido os sentidos têm?
Poemas: Vânia AlsalekIlustrações: Anielizabeth
Rio de Janeiro: Gryphus, 2011
Primeira obra para crianças da educadora Vânia Alsalek, Que sentido os sentidos têm?, traz um convite ao leitor para degustar os versos cheios de lirismo e espontaneidade. Coisas simples, da natureza, do cotidiano, da alimentação podem ser motivos para prestarmos atenção aos cheiros, aos sentidos e à vida: pão com manteiga e geléia; chuva; caminhão do lixeiro; o pipoqueiro... E o que mais? Abra o livro e descubra você também!
“Que cheiro esse cheiro tem”; Um brilho diferente”; “Todo mundo tem ouvidos”; “Tem gosto pra tudo” e “Nem tudo se vê com os olhos” são os poemas que fazem parte desse livro editado pela Gryphus, que mistura os sentidos às descobertas das crianças. Brincadeiras de palavras e non sense são utilizadas, como recursos da poesia que encanta leitores de todas as idades.
Ilustrações de Anielizabeth trazem movimentos, deslocamentos e compõem um trabalho bem realizado. As cores bem fortes fazem uma sintonia com as imagens evocadas pelos poemas.
Também autora da obra para educadores A criança até 4 anos – um guia descomplicado, da editora Summus, Vânia conviveu por muitos anos com crianças em idade de creche no trabalho que desempenhava. Sua linguagem na produção para crianças flui com espontaneidade e despojamento, rica em figuras de linguagem e ludicidade. Na sua obra dirigida aos adultos, estamos diante de um importante estudo sobre os primeiros anos da vida de uma criança, na verdade, os anos que as funções motora, cognitiva, psíquica e emocional são constituídas. Ou seja, os anos mais importantes da vida de uma pessoa. O livro está bem dirigido aos pais, educadores e cuidadores dos bebês e pequenos. Que venham outros livros para crianças e para adultos, Vânia!
O acervo iconográfico da Biblioteca Nacional
Estudos de Lygia da Fonseca Fernandes da Cunha
Renata Santos, Marcus Venicio Ribeiro e Maria de Lourdes Viana Lyra (organizadores)
Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2010
Obra de caráter histórico, cultural, bibliográfico e artístico, importante para pesquisas e estudos. Aqui estão reunidos os pioneiros estudos iconográficos realizados ao longo de mais de 50 anos por Lygia Cunha, bibliotecária e antiga chefe da Seção de Iconografia da Biblioteca Nacional, a mais antiga e importante Biblioteca Nacional do Brasil, localizada no Rio de Janeiro e uma das dez maiores bibliotecas do mundo e a maior da América Latina.
Entre os artistas contemplados nos estudos, encontramos: Albrecht Dürer, Debret, Thomas Ender, Carlos Julião, James Forbes, Joseph Martinet, entre muitos outros, de diferentes procedências. São 256 páginas de pesquisas, comentários, bibliografias, reproduções iconográficas. É um verdadeiro contato com a nossa história, a nossa idiossincrasia: as vestimentas, as funções sociais das pessoas, a natureza tão retratada nas paisagens: bichos, plantas e vistas. E, além de tudo, um importante registro do processo de documentação do olhar sobre o país: desde a fotografia à pintura, ao desenho, às gravuras.
Páginas em papel couché e reproduções das artes em cores são alternadas no miolo da bela edição desse estudo. Como um livro de arte, ele se abre aos nossos olhos e ao deleite do manuseio, da leitura e da pesquisa.
Se viajantes, cientistas e estudiosos nos deixaram seu olhar sobre o nosso povo, a nossa pátria, chegou a hora de conhecermos essa amostra significativa de arte histórica de séculos passados. Parabéns à estudiosa bibliotecária Lygia da Fonseca pelo cuidado e dedicação! E parabéns aos organizadores da obra que fazem das memórias iconográficas a nossa história!
Ninfa Parreiras